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domingo, 22 de junho de 2014

Os esquecidos por Felipão


ESQUECIDOS CAPA
Convocação de Seleção Brasileira vocês sabem como é, Doentes. Por melhor e mais coerente que seja feita, sempre acabam sobrando nomes que alguém cobra por terem ficado de fora. Quando se trata de convocação para Copa do Mundo, então, aí pode contar que a polêmica tende a aumentar até a enésima potência, não concordam? Um bom sinal em relação à convocação de Felipão para a Copa de 2014 é que não houve nenhuma grande ausência sentida, nenhuma comoção nacional como a de Romário em 2002 ou Neymar e Ganso em 2010.
Porém, em se tratando de Brasil, sempre há mais opções do que vagas dentro do grupo dos 23 escolhidos. Existem alguns nomes que, no mínimo, deveriam ter sido testados por Felipão e outros que, sem sombra de dúvida, tinham vaga certa na Copa que se inicia dia 12. Vamos a eles:
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DIEGO ALVES (VALÊNCIA)
DIEGO ALVES
O melhor goleiro brasileiro em gramados europeus - não há melhor forma de descrever a temporada feita por Diego Alves em 2013/2014. O arqueiro do Valência reconquistou sua titularidade em dezembro do ano passado, com a chegada do treinador Juan Antonio Pizzi, e, com a sequência de jogos, voltou a exibir seu melhor futebol debaixo das traves. Grandeespecialista em pegar pênaltis (detentor de média de 48% de cobranças defendidas),Diego merecia ao menos ter sido mais testado por Scolari. O goleiro foi chamado apenas na estreia do treinador na Seleção contra a Inglaterra. Nitidamente, é questão de preferência pessoal, já que Julio Cesar, jogador do Toronto, viveu um momento muito mais conturbado e jogou pouco pelo Queens Park Rangers antes de se transferir para o futebol canadense, mas nem por isso foi deixado de lado pelo técnico brasileiro.
Confiram Diego em ação contra o Real Madrid de Cristiano Ronaldo em pleno Bernabéu. O Valência só saiu com o empate graças às excelentes defesas operadas pelo goleiro. Note a frustração de Ronaldo ao ter “gols certos” defendidos pelo arqueiro. Foi uma exibição de gala:
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MIRANDA (ATLÉTICO DE MADRID)
MIRANDA1
O “quarto zagueiro”, O termo utilizado por Michel Costa no artigo em que defende a convocação do colchonero, resume tudo. Se Thiago Silva, David Luiz e Dante são nomes inquestionáveis na a zaga da seleção, faltou o quarto zagueiro, que, sem dúvidas deveria ter sido Miranda. O defensor formou com Godín uma das melhores duplas de zaga do futebol europeu na última temporada. Não à toa o Atlético de Madrid foi a defesa menos vazada do Campeonato Espanhol e chegou à final da Champions League sem perder um jogo sequer. Antes da final contra o Real Madrid, o Atlético só havia levado no máximo 1 gol por partida na Champions. Miranda certamente fez uma temporada infinitamente melhor do que Henrique do Napoli, o escolhido de Felipão. Por sinal, Henrique tem sido mais utilizado no Napoli na lateral direita do que na zaga, sua posição de origem. Miranda merecia mais.
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FILIPE LUIS (ATLÉTICO DE MADRID)
FILIPE LUIS
Filipe Luis, companheiro de Miranda em uma das defesas mais seguras da Europa na última temporada, também é um atleta que no mínimo deveria ter sido mais testado na seleção. O próprio lateral reclamou, em entrevista à ESPN, acusando Felipão de não ter critério em suas convocações:
“Não tenho dúvidas de que mais jogadores mereciam. Mas, como eu falei, não tem um critério claro. Então talvez não vão os que merecem, simplesmente vão os que o treinador quer convocar. Por isso não depende muito do que você está fazendo no campo, depende de um cara que está mandando e que está tentando levar o que ele quer, o melhor pra ele … A seleção nesse momento não tem um critério, e não falo por mim, falo por outros jogadores. O Miranda realmente foi o melhor zagueiro da Europa neste ano”.
Neste caso, concordo com Filipe. Maxwell é um bom lateral, porém Filipe tem se destacado em alto nível faz um bom tempo. Tanto que, em 2010, só não jogou na África do Sul por causa de uma perna quebrada que o tirou da seleção de Dunga. O lateral esquerdo está na nossa lista de melhores do ano do Campeonato Espanhol e acredito que na de muita gente também.
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FERNANDO (PORTO)
FERNANDO PORTO
Fernando é o volante brasileiro de carreira mais regular no futebol europeu. Pode parecer estranho, mas é verdade. Desde a temporada 2009/2010, ele vem jogando pelo Porto e sempre se destacando. O volante foi peça-chave nos títulos nacionais, na conquista da Liga Europa na temporada 2009/2010 e de três Taças de Portugal. Atualmente, é a figura mais destacada do meio-campo dos dragões, sendo um dos grandes responsáveis pelo Porto ter tido, nas últimas temporadas, a melhor defesa de Portugal e, estatisticamente, uma das melhores da Europa. Não é à toa que clubes como Manchester City, Manchester United, PSG, Liverpool, Inter de Milão e Chelsea já tentaram levar o atleta. Nesta janela, parece que finalmente o City vai conseguir tirar Fernando do Porto. O Polvo é tão valorizado em Portugal que a Federação Portuguesa de Futebol tentou naturalizá-lo para que disputasse a Copa de 2014 pelo selecionado de Paulo Bento. O pedido foi negado pela FIFA, felizmente para o Brasil; resta saber se o jogador será aproveitado. Temos ótimas opções de volantes no Brasil: Paulinho, Luiz Gustavo, Fernandinho, Hernanes e Ramires dão conta do recado. Mas, como Lucas Leiva e Arouca chegaram a ser testados por Felipão, Fernando merecia ter tido chances com a camisa da seleção.
 Confiram Fernando em ação e vejam porque os portugueses tentaram naturalizá-lo para a Copa de 2014:
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PHILIPPE COUTINHO (LIVERPOOL)
COUTINHO
Coutinho é o camisa 10 do time que praticou o futebol mais vistoso da Premier League 2013 /2014. Se não foi o jogador mais importante da equipe, posto de Luis Suárez, o meio-campista foi uma ótima engrenagem na máquina montada por Brendan Rogers. Desde quando se transferiu para o Liverpool, ainda na temporada 2012/2013, Philippe mostrou em gramados europeus aquele futebol que o credenciava, juntamente com Neymar, comojogador mais promissor de sua geração. Se Jadson e Osvaldo tiveram chances dadas por Felipão na seleção, Willian ganhou a vaga nas últimas 3 convocações para amistosos eBernard garantiu a convocação mesmo sendo reserva no Shakhtar, Coutinho, no mínimo, merecia ter sido testado. Aliás, arrisco dizer que o meia apresentou futebol para ter vaga certa nesta Copa. O garoto dos Reds jogou muito e merecia desfilar seu talento em gramados brasileiros pelo mundial.
Confira um resumo da temporada de Coutinho:
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ROBERTO FIRMINO (HOFFENHEIM)
FIRMINO
Antes de falar diretamente em Firmino, pensemos num nome mais popular, mais familiar:Marco Reus. Reconhecido como craque, certo? Melhor jogador da Bundesliga e tudo mais, 16 gols e 14 assistências no campeonato. E se eu te dissesse que um brasileiro praticamente igualou Reus em gols e assistências no difícil Campeonato Alemão jogando por uma equipe que terminou na modesta nona posição? Este é Roberto Firmino. O talentoso meia-atacante marcou 16 gols e deu 12 assistências na Bundesliga, deixando para trás nomes muito mais badalados, como Franck Ribéry, Mario Götze, Thomas Müller e afins.Firmino foi votado como segundo melhor jogador da Bundesliga, perdendo apenas para Reus, em eleição popular aberta no site oficial do campeonato. Difícil aceitar que um cara desses não tenha sido nem ao menos testado na seleção:
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DIEGO COSTA (ATLÉTICO DE MADRID)
DIEGO COSTA
O melhor atacante brasileiro da temporada. 27 gols no Campeonato Espanhol em 35 disputados, 8 gols em 9 partidas pela Champions League e um belo reforço para a fúria espanhola. Diego alega que se ressente por não ter sido considerado por Felipão como opção para o ataque do Brasil até ter sido convocado por Del Bosque:
“Scolari nunca me telefonou. O único técnico que me ligou foi o Del Bosque, que mostrou interesse em mim, me convidou para uma refeição e me fez perceber que eu estava nos planos dele.”
No mínimo foi falta de visão de Scolari não ter testado o atacante do Atlético de Madrid desde que assumiu a seleção. O matador colchonero desde o início da temporada 2013/2014 vinha disputando com Messi e Cristiano Ronaldo a artilharia do Campeonato Espanhol. Somando-se a isso a total falta de opções qualificadas no ataque da seleção, fica difícil digerir o fato de que Diego Costa teve apenas 35 minutos de jogo nas partidas contra Russia e Itália para mostrar seu futebol. O ataque sempre foi a maior dor de cabeça de Felipão. Fora Fred, titular incontestável do ponto de vista técnico, não há um reserva confiável. Luis Fabiano e Damião foram testados e Jô quebra o galho, mas não dá para compará-los ao que Diego Costa vem apresentando em campo.
Diego teria vaga fácil no grupo dos 23 convocados, quiçá até “roubaria” a titularidade de Fred.

As palavras e ideias colocadas no texto são de responsabilidade do autor, e não necessariamente representam as ideias do site.
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Nióbio, a importância do metal: como o Brasil é super-espoliado

O Brasil tem 98% das reservas mundiais desse estratégico mineral. É uma imensa fortuna, maior que do petróleo, do ouro e outros minerais. O Canadá, com cerca de 1,5% das reservas mundiais, propicia, com o produto da exploração do nióbio, saúde e educação inteiramente gratuitas, além de muitos outros benefícios. No Brasil, se o nióbio (Nb) fosse explorado e comercializado honestamente, em benefício do povo e não de alguns ricaços daqui e do exterior, não precisaríamos pagar plano de saúde nem escola para os filhos e outros serviços. Calcula-se o valor das reservas brasileiras em dezenas de trilhões de reais.

O nióbio é um mineral raro e estratégico. Várias ligas de nióbio são desenvolvidas por sua leveza e por sua supercondutividade, muito superior a de outros minerais. Seus principais derivados entram na composição de aços diversos, como nos aços de alta resistência, usados na fabricação de tubulações para transmissão de gás sob alta pressão, petróleo e água, por ser um poderoso agente anti-corrosivo, resistente aos ácidos mais agressivos. É utilizado na prevenção de corrosão intergranular em aços inoxidáveis.

É indispensável nas indústrias espacial e nuclear. Outro desenvolvimento importante é o aço microligado, utilizando-se 400 gramas de Nb por tonelada de aço. A alternativa ao nióbio é utilizar grandes quantidades de aços ligados, cujo produto final encarece muito. Os super-aços com nióbio, por serem super-resistentes à combustão, são utilizados para fabricação de mísseis, centrais nucleares, tecnologia energética de ponta, naves espaciais, turbinas de aviões, centrais elétricas. Devido à supercondutividade, é utilizado nos tomógrafos de ressonância magnética que utilizam magnetos supercondutores, além de outros revestimentos e compostos.

O uso do nióbio disseminou-se após a descoberta da imensa reserva em Araxá-MG; tornou-se abundante e ganhou importância no desenvolvimento de materiais de engenharia, por ser o mais leve dos metais refratários.

O Brasil possui quase 98% das reservas mundiais, seguido pelo Canadá, 1,5%, e Austrália, 0,46%. Há pequenas reservas em França, África do Sul e Nigéria. Os EUA, Europa e Japão são 100% dependentes do nióbio brasileiro.

A Diretoria de Planejamento e de Desenvolvimento da Mineração-Departamento Nacional de Produção Mineral (DIPLAM/DNPM), vinculados ao Ministério das Minas e Energia (MME), apresentam a seguinte tabela (copiei do site do MME):

Tabela 1
Reserva e produção mundial
Discriminação
Reservas
Produção
Países
2009
2008
2009
(%)
Brasil
4.499.106
144.514
165.723
97,2
Canadá
46.000
4.380
4.300
2,5
Outos
21.000
483
400
0,24
TOTAL
4.566.106
149.377
170.423
100,0

PAÍSES
RESERVAS (T)
PERCENTUAL(%)
BRASIL
3.761.015
96,43
CANADÁ
110.000
2,82
AUSTRÁLIA
20.000
0,73
NIGÉRIA
9.000
0,22
TOTAL
3.900.015
100,00
Fonte:DIPLAM;DNPM,USGS – Mineral Commodity Sammaries – 2010

Há outra tabela, que copiei do trabalho do contra-almirante Roberto Gama e Silva, apresentada também no blog de José Serrão.

O Brasil é praticamente o único fornecedor mundial de nióbio. Entretanto, as estatísticas atribuem ao país apenas 55% da produção. É evidência que grandes quantidades são contrabandeadas. Há denúncias de que a própria FUNAI estaria envolvida no contrabando. Além disso, a exportação é subfaturada. Devido a sua gama de utilidades, é muito difícil estipular valores corretos segundo preceitos das leis da economia, como “valor de uso”, “raridade do bem”, “relação custo-benefício”, “bem não-renovável” etc.

Mas o absurdo é que o preço do nióbio, muito baixo, é fixado pela Inglaterra, país que não tem sequer um único grama do mineral. Porém, a comercialização é efetuada em transações entre empresas que muitas vezes nem seguem o valor cotado na London Metal Exchange e os valores não são divulgados. Estima-se, segundo alguns estudos, que PERDEMOS CERCA DE 14 BILHÕES DE DÓLARES ANUAIS, mas há outros que falam em valores mais elevados.

Quem quiser obter detalhes da “marreta”, deve consultar a revista Nova Democracia, na Internet. O Ministério Público Estadual de Minas Gerais e a Receita Federal apuram os desvios dos valores pela venda subfaturada. Há suspeitas de que a Rede Globo em MG seja uma das beneficiárias, além da sonegação de impostos. O certo é que durante muitos anos de transações subfaturadas já causaram ao país prejuízos de centenas de bilhões de dólares.

O trabalho de William da Silva e Silva, na revista eletrônica “Tempo Presente”, cita obra de Jorge Serrão, que diz: “... onde estão os lucros com a venda de nióbio?Não vemos sequer uma parte desse dinheiro destinado direta ou indiretamente a beneficiar o país ou mesmo as cidades de origem das jazidas. Jorge Serrão no texto “Brasil tem a segunda maior carga tributária sobre os salários do mundo: metade da renda dos mais pobres é abocanhada por impostos”. Estima em R$210 bilhões de reais por ano a cifra da sonegação de impostos sobre a exportação de nióbio. Os “tucanos” tentaram privatizar as reservas de nióbio a céu aberto de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, em outubro de 1997...  tentaram vender a reserva pelo vil preço de R$ 600 mil. A avaliação da reserva pela Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais era de US$1 trilhão de dólares. Uma decisão judicial, em favor da ONG União Nacionalista Democrática, impediu a negociata (SERRÃO, 2008, p.1).”

Esse mineral foi descoberto na Inglaterra em 1801 por Charles Hatchett, que o denominou de columbio, em homenagem às terras americanas que possuem grandes reservas. Posteriormente, o químico alemão Heinrich Rose, pensando haver encontrado um novo elemento ao separá-lo do metal tântalo, deu-lhe o nome de nióbio em homenagem a Níobe, filha do mitológico rei Tântalo. Como o petróleo e qualquer outro mineral, é finito; não se renova. Enquanto durar, deve ser aproveitado em benefício de todo o povo, mas pensando nos nossos descendentes, as próximas gerações. E não para enriquecimento de meia dúzia de pessoas aqui e no exterior.

O nióbio é tão importante quanto o petróleo para as economias desenvolvidas. Isso coloca o Brasil em posição mais vantajosa no comércio internacional do que os países da OPEP.

A exploração

A CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração S.A.), com sede na cidade de Araxá-MG, é uma empresa nacional que extrai, processa, fabrica e comercializa produtos à base de nióbio, do qual é detentora de imensa reserva na própria cidade. Pertence ao Grupo Moreira Salles em sociedade com o Grupo Molycorp – Molybdenium Corporation dos EUA, maior proprietário de terras-raras no mundo. Está presente em todos os segmentos de mercado. Possui subsidiárias na Europa (CBMM Europe BV - Amsterdam), Asia (CBMM Asia Pte - Cingapura) e na América do Norte (Reference Metals Company Inc. - Pittsburgh). Quinze por cento das ações foram vendidas para uma estatal chinesa, para japoneses e coreanos, países carentes, mas grandes consumidores, que assim se preveniram. Os quatro irmãos Moreira Salles ficaram com 20% das ações. Figuram na lista dos mais ricos do mundo da revista Forbes.

A exploração está concentrada nas jazidas da CBMM de Minas Gerais (83%), no município de Araxá, com uma pequena parcela no município de Nazareno. Tem capacidade produtiva avaliada em 488 milhões de toneladas. A produção anual de liga ferro-nióbio passou de 70 mil toneladas. Há um contrato entre a CODEMIG (Cia. de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais S.A.) e a CBMM, que ajusta uma Conta de Participação nos Lucros, na faixa de 25%, em favor da estatal, que detém 195 milhões de toneladas através da COMIG (Cia Mineradora de Minas Gerais). A outra parte é de domínio da CBMM, cerca de 293 milhões de toneladas. Se há uma estatal envolvida, presume-se que tudo seria (ou deveria ser) correto e transparente. Estima-se vida útil da reserva em mais 400 anos.

Em Goiás, a mina Chapadão, no município de Catalão, de propriedade da inglesa Anglo American Brazil, com sede no município Ouvidor, produz 15,3%. O município de presidente Figueiredo, no estado do Amazonas, produz 1,1%.
Portanto, as usinas de exploração e beneficiamento estão nas mãos de empresas estrangeiras. O Brasil exporta a matéria prima e importa manufaturados de vários países.

As reservas nacionais são da ordem de 694 milhões de toneladas de minério bruto, sem contabilizar as reservas de São Gabriel da Cachoeira, a maior jazida de nióbio do planeta, com 2,9 bilhões de toneladas de minério bruto, pois a pesquisa não está concluída totalmente.

Para exploração, aplica-se um elemento químico, o bário, que em contato com oxigênio é oxidado; penetra na terra revolvida e, quando chove, é levado para o lençol freático, contaminando a água e podendo causar câncer.

Toda a produção da britânica Anglo American é destinada exclusivamente à exportação, nada para o mercado interno. Da CBMM, 93% da produção são para exportação. Por se tratar de um bem não renovável, como qualquer outro mineral, deveria haver uma política de exportação muito cuidadosa. Não se pode simplesmente pensar em receitas na balança comercial, à custa de exaurir uma riqueza. Deve-se manter uma reserva estratégica.

Todavia, as maiores jazidas estão no Morro dos Seis Lagos (AM) e em Raposa Serra do Sol (RR). O primeiro, é localizado na cidade São Gabriel da Cachoeira (AM), na região denominada Cabeça de Cachorro, fronteiriça à Venezuela e à Colômbia. Noventa por cento da população da cidade é indígena. Cada um dos seis lagos apresenta coloração diferente devido à presença de imensas reservas de minerais, sendo a predominância de nióbio. É Reserva Indígena e área de segurança nacional e de proteção ambiental. Por isso, não é possível explorá-las, mas há denúncias de que há extrações clandestinas.

Raposa Serra do Sol é Reserva Indígena reconhecida pelo STF ao julgar ação movida pelo governo de Roraima. Faz fronteira com a Venezuela e a Guiana. Suas imensas reservas de nióbio também não podem ser exploradas. Minerais em abundância, foram o grande motivo de muita celeuma na marcação das duas reservas indígenas e a Inglaterra mostrou-se muito interessada.

Os principais países compradores são: China, União Europeia, Japão, Rússia, EUA, Índia, Coreia do Sul, Arábia Saudita, Suécia, México, Taiwan e Venezuela, que aplicam em aços microligados para construção civil, indústria mecânica, aeroespacial, naval, automobilística, de petróleo e gás etc.

Portanto, esse mineral é altamente estratégico e continuará assim, pois só pode ser substituído por outros minerais, também considerados estratégicos pelo CETEM (Centro de Tecnologia Mineral), mas que precisam sofrer processos que encarecem muito.

As grandes empresas de mídia e os governos, tanto do PSDB quanto do PT, escondem da sociedade a importância do estratégico mineral e os prejuízos que o Brasil sofre. É verdadeiro tabu. Além da sangria que ocorre também com outros minerais. O WikiLeaks divulgou uma lista confirmando denúncias de irregularidades com a exploração e venda de vários minerais, nominando as empresas. Segundo Marcos Valério, operador do mensalão, a grande soma envolvida no escândalo do mensalão é pinto em relação às vultosas quantias para corrupção, oriundas do contrabando do nióbio.

A extração é descontrolada, verdadeiro absurdo. A sociedade precisa tomar conhecimento para exigir o fim da rapinagem, principalmente com o nióbio. Devemos ter uma política nacionalista para os minerais estratégicos, os radiativos e as terras-raras. A exploração das jazidas deve ser normatizada visando estabelecer equilíbrio entre as necessidades atuais e manter reservas para o futuro.

Com visão dessa estratégia, a Constituição de 1988 inseriu um parágrafo no artigo 176, que dispunha: “§ 1º - A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se refere o caput desse artigo somente poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros ou empresa brasileira de capital nacional, na forma da lei, que estabelecerá as condições específicas quando essas atividades se desenvolverem em faixa de fronteira ou terras indígenas”.

Entretanto, em 1995 foi aprovada a EC nº 6, modificando o dispositivo citado, que diz: “A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se refere o caput deste artigo somente poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse nacional, por nacionais ou empresas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham a sua sede e administração no país, na forma da lei, que estabelecerá as condições específicas quando essas atividades se desenvolverem em faixa de fronteira ou terras indígenas”.Dispositivo claramente neoliberal.

Ora, dispor que “empresas constituídas sob as leis brasileiras e com sede e administração no país” permite que as empresas transnacionais, inscritas em Juntas Comerciais, com sede e administração no país, mesmo com capital inteiramente estrangeiro, possam explorar jazidas, como é o caso da Anglo American Brazil e da Rio Tinto Company. Nós temos o exemplo do que foi feito com o manganês na Serra do Navio no Amapá. O presidente Eurico Gaspar Dutra autorizou o governo do então Território Federal do Amapá a firmar contrato com a “Indústria e Comércio de Minérios S.A.” (ICOMI), pertencente ao empresário Augusto Trajano de Azevedo Antunes, para exploração das jazidas. Por trás do empresário havia a siderúrgica norte-americana “Bethlehem Steel Company”, extinta em 2003.

O manganês do Amapá acabou, e o agora estado só tem os buracos como recordação. A multinacional e o “Defense Materials Procurement Agency”, do Ministério da Defesa dos Estados Unidos da América, é que sabem para onde foi o mineral.

Observações finais

Os créditos do Brasil, junto aos Estados Unidos e à Inglaterra, existentes quando Getúlio saiu do poder em 1945, foram totalmente dilapidados no governo desse mesmo presidente, Dutra, que gastou comprando apenas quinquilharias – canetas esferográficas, rádios de pilha, ioiôs, geladeiras etc.; não adquiriu bens de capital).
“FHC quis privatizar as reservas de nióbio a céu aberto de São Gabriel da Cachoeira” nas condições acima citadas. Lula, conforme denúncia do jornal Folha de S. Paulo, em novembro de 2002, já eleito, mas ainda não empossado, passou um fim de semana em Araxá, na fazenda da família Moreira Salles, testa de ferro da multinacional Molycorp. Nesses doze anos de governo petista, nada foi feito para acabar com as gravíssimas irregularidades. E tudo continua igual. Não há uma política setorial para o nióbio.

Se os recursos do nióbio ficassem no país e fossem direcionados, honestamente, para desenvolvimento econômico e social, não precisaríamos pagar planos de saúde nem escolas para os filhos, a exemplo do desenvolvido e rico Canadá que, além disso, não tem muitos impostos que nós pagamos. Também Cuba, embora pobre em recursos naturais, propicia esses benefícios. E não haveria a pesada carga tributária que suportamos.

Nota

Não sou geólogo, nada entendo dessa matéria, nem de química. Elaborei esse texto movido pelo convencimento das verdades citadas pelos autores citados abaixo e a levar a conhecimento de algumas pessoas que eu possa alcançar. Só pude elaborá-lo extraindo dados dos seguintes trabalhos:

“SILVA-E-SILVA, William. Da Revista Eletrônica Boletim do TEMPO, Ano 4, Nº06, Rio, 2009 (ISSN 1981-3384).

Do artigo “Nióbio a Preço de Banana”, publicado em A Nova Democracia, nº 74, Ano 9, fevereiro de 2011.);

Nióbio, Metal Estratégico; de Adriano Benayon, diplomata, Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, aprovado em 1º lugar em ambos os concursos, doutor em Economia pela Universidade de Hamburgo, formado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ex-professor da Universidade de Brasília e do Instituto Rio Branco, autor do livro “Globalização versus Desenvolvimento”.

Do contra-almirante Roberto Gama e Silva; trabalhos na revista eletrônica “Tempo Presente”.

Artigo na revista impressa Samuel, nº 4; trabalho do engenheiro Ronaldo Schiiling.

É importante, por elucidativo e riqueza de dados, o vídeo com a entrevista do então deputado Enéas Carneiro à Rede Vida, emhttp://www.youtube.com/watch?v=WQhR0Dvtnn8.

Ronald Barata é bacharel em direito, aposentado, ex-bancário, ex-comerciário e ex-funcionário público. Também foi militante estudantil e hoje atua no Movimento de Resistência Leonel Brizola. Autor do livro O falso déficit da previdência.